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Foto: Reprodução/Redes Sociais/ND Mais
Santa Catarina

Grávida que morreu após atendimento hospitalar teve dengue grave

A investigação busca agora determinar se houve negligência ou imprudência por parte das equipes de saúde.

Éder Luiz

Éder Luiz

Foto: Reprodução/Redes Sociais/ND Mais

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A Polícia Civil de Santa Catarina investiga as circunstâncias da morte de Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e de seu bebê, ocorrida na última semana após a jovem buscar atendimento médico por quatro vezes no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial. De acordo com o delegado Ícaro Malveira, responsável pelo caso, prontuários médicos obtidos junto ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau, indicam que a paciente grávida apresentava um quadro de dengue grave. A investigação busca agora determinar se houve negligência ou imprudência por parte das equipes de saúde que realizaram os atendimentos iniciais no Vale do Itajaí, uma vez que a jovem foi liberada repetidamente antes de ter o quadro agravado.

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A busca por socorro começou no dia 30 de março, quando Maria Luiza, então no sétimo mês de gestação, procurou o hospital com dores no corpo, febre e dor de cabeça, mas foi liberada após exames iniciais. No dia seguinte, uma nova consulta apontou queda nas plaquetas e suspeita de dengue, mas a paciente foi novamente mandada para casa. No dia 1º de abril, a jovem retornou à unidade de saúde em duas ocasiões, pela manhã e à noite, sendo medicada e dispensada em ambas as vezes. A gravidade da situação só foi reconhecida no dia 2 de abril, quando, após passar por um posto de saúde, ela foi levada novamente ao hospital com um quadro de infecção generalizada.

Devido à complexidade do estado de saúde, a gestante foi transferida pelo Samu para Blumenau, onde as equipes médicas realizaram uma cesariana de emergência. O bebê não resistiu ao procedimento e a mãe faleceu pouco tempo depois. A Polícia Científica analisa agora todos os prontuários médicos para elaborar um laudo pericial, que deve ser concluído até o fim da próxima semana. O delegado ressalta que o diagnóstico de dengue grave pode alterar drasticamente a análise sobre a conduta do hospital e a causa oficial das mortes. Os profissionais envolvidos nos atendimentos serão intimados a prestar depoimento nos próximos dias.

Outro ponto de atenção na investigação é o fato de o corpo da jovem ter sido sepultado sem passar pelo Instituto Médico Legal (IML), sob a justificativa de que não havia indícios de morte violenta. Caso os laudos periciais dos prontuários não sejam conclusivos, a Polícia Civil não descarta solicitar a exumação do corpo para exames complementares. Em nota, o Hospital Beatriz Ramos afirmou que instaurou uma investigação técnica rigorosa e que revisará todo o processo assistencial prestado à paciente. Já o Hospital Santo Antônio reforçou que Maria Luiza deu entrada na unidade em estado gravíssimo e recebeu atendimento imediato de equipes especializadas em obstetrícia e neonatologia.


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